Bom galera da rede Globo!
Hoje foi um dia extremamente produtivo! E olha que deu até tempo de cochilar por duas horas.
Acordei de manhã, fui à Escola de Alemão para fazer o teste de nivelamento e caí exatamente onde eu estava ai no Brasil, o que é uma coisa boa, porque eu sei se eu subisse um nível poderia ser bem difícil, mas claro, havia um lado negativo. A escola só tem curso pro meu nível à noite. Ai a moça lá, que é a minha professora também – ela se chama Gerda, by the way – me falou dessa aula e tal, que ela era “halb sieben”, ou seja, 18:30! Beleza! Mas a aula era na verdade às 17:30 – halb sesch. Ai eu cheguei às 18:20 todo achando que tava chegando mais cedo feliz e sorridente, e ai eu escuto “Por que você está atrasado? Você não tem um relógio?” – delicadeza alemã é outra coisa, né gente? Depois ela veio me falar que talvez eu tinha entendido o horário da aula errado. Ai ela falou “halb fünf” (16:30) e se corrigiu na mesma hora para halb sesch, ou seja, nem ela sabia direito heheheh Ai eu falei que eu tinha entendio halb sieben e tal e foi isso.
Bom, na minha turma tem uma menina da Etiópia e uma menina do Turcomenistão! Tipo, de onde gente? Descobri coisas hoje como: toda a riqueza da Etiópia foi roubada pelos Italianos durante o Neo-imperialismo e hoje eles não têm nada direito e que no Turcomenistão tudo é praticamente de graça: escola, gás, água, luz, aquecimento, um bando de coisa!
Mas enfim. Depois da prova, eu tinha todo um roteiro para fazer. Fui à AOK, que é uma seguradora aqui na Alemanha tirar uma declaração que eu tinha um seguro e que não precisava contratar um seguro de saúde Alemão – eu preciso dessa declaração para tirar o meu visto e fazer minha matrícula. Ai depois fui ao Bürgeramt, que é um departamento aqui de Registro Civil. Na Alemanha – e na minha experiência, na Áustria também – você tem que se registrar na cidade quando você muda para ela e ir lá avisar que você está mudando também. Ai tipo, peguei uma senha, que era 497 e estavam chamando o número 440, mas tudo bem; foi rápido. Ai a moça que me atendeu viu que eu não era da Alemanha e me perguntou se eu queria que ela falasse em Inglês, ai eu falei que não precisava e deu tudo certo! Depois subi um andar e fui no Auslanderbehörde que é onde os estrangeiros vão tirar o visto – para quem não sabe, não precisa de visto para visitar/estudar na Alemanha, desde que o tempo não exceda 90 dias e ai, caso exceda, você tira o seu visto aqui mesmo. Ai tirei outra senha, 108, chamando 87, mas aqui tudo é rápido. Não consegui tirar o visto pois tem uns papeis que tem que preencher, ai para agilizar, eles te mandam para casa e te mandam voltar em dois dias, ia na Quinta-Feira vou tirar o meu visto e tirar a minha Carteira de Identidade Eletrônica também. Mas enquanto isso, ela me deu um visto provisório que vale só por 3 meses para que eu possa fazer minha matrícula amanhã.
Agora o grande detalhe disso tudo!!! Fiz tudo isso a pé! Ou seja, andei, só na parte da manhã 6,6km e agora de noite para ir e voltar da aula de alemão mais 4,2km, ou seja, andei exatos 10,8km hoje. Aqui é super tranquilo andar na rua, é tudo plano e bem asfaltado, ai é de boa.
Amanhã vou acordar cedo, ir lá à Faculdade fazer minha matrícula e na Quinta eu vou e tiro o meu visto. Aproveitando a matrícula, vou comprar também o meu Semesterticket que é um bilhete de Trem/Ônibus/Bonde que vale para a cidade e região durante o semestre inteiro. Ai sempre que eu tiver que ir em lugares mais longes ou estiver muito frio, eu pego algum transporte, senão, enquanto tiver essa temperatura boa, vou andando mesmo que faz bem! Esse Semesterticket vale pelo semestre inteiro (por isso que ele chama Semester-ticket) e é ilimitado e custa 73 Euros pelo semestre.
Ontem, o povo aqui me chamou para ir ao Rio Reno com eles, para fazer uma coisa super inesperada – garimpar ouro! Exatamente! Nach Gold schürfen! (o nach é opcional, de acordo com a minha professora). Claro que, no ribeirão do Rio Reno só tem “migalhas” de ouro e foi mais pela diversão e passa tempo do que realmente pelo objetivo de se enriquecer com os recursos naturais. O que a gente conseguiu deve dar uns 3mg no máximo! Hehehe Mas foi legal.
Uma coisa, cada vez mais me espanta aqui. O tanto que criança européia é criada solta. Tipo, os meninos ficavam brincando indo e vindo pra lá e pra cá e o Dominic lá garimpando e a Silvia conversando comigo e os meninos soltos, mas acho que isso é bom de certa forma. O Tino tem 2 anos e meio e já come sozinho, escova os dentes sozinhos, calça o sapato sozinho. Por sinal, o Tino é uma gracinha. Ele pegava minha mão e falava “Komm!” (Vem!). Teve uma hora que ele foi com um pedaço de pão pra água e claro, ele caiu e o pão molhou, e ai ele começou a chorar. Nessa hora o Dominic estava, como o dia todo ele ficou fazendo, garimpando e a Silvia tava correndo, provavelmente, bem longe de lá. Ai eu fui lá peguei ele, falei que não foi nada (tudo em alemão!) e falei que dava outro pedaço de pão para ele. Ai fomos e pegamos outro pedaço de pão, ai depois de um tempo – memória de criança é igual a da Dory do Nemo – ele resolveu ir novamente pra água com o pão. Ai eu falei que ele tinha que ele tinha que escolher, pão ou água - lógico que veio uma mão me dando o pão e ele foi para água. A Flora, ainda não acostumou muito comigo não, mas diz a Silvia que é normal, que ela demora um pouco mais para se soltar e tal, mas hoje ela já perguntou se eu podia um dia buscá-la na escola e tal. Ah, outra coisa que me impressiona na verdade. Eles começam a chorar, os pais fazem nada e eles param. É tipo, fantástico!!!! Até porque, os dois choram por quase tudo na vida; outra coisa impressionante – mas é aquele choro mega falso que nem lágrima sai.
Depois disso tudo, fomos a uma ponte ver o Rio de cima e o Dominic me explicou que na verdade há dois Rios Reno. Como ele é na fronteira da França com a Alemanha, depois da 2ª Guerra Mundial, a Alemanha o perdeu para a França. Ai tem um barranco do outro lado do rio e atrás deste barranco tem um canal por onde passa a maior parte do Rio, explicando o porquê do Reno na parte Alemã ser tão raso e ter pouca água. Ai ele me falou também que, quando o Reno francês inunda, eles abrem um bando de canais e mandam a água para a Alemanha – acho paia passar o problema pros outros! Fazer o que, né? Perdeu a Guerra: rodô! hahaha
No mais eu acho que é isso. Coloquei algumas fotos do Rio Reno (Rhein) no álbum, assim como algumas fotos da cidade que eu tirei hoje ao andar loucamente pela cidade.
Tschüss!